Tiago Picomano é uma prova viva de que o skate de alto nível não tem data de validade. Em sua nova video part pela 4Msb by Skateovation, filmada ao longo de 2025 entre BH, SP e Brasília, o mineiro mostra que a técnica e o peso das manobras só evoluem com o tempo. Conversamos com ele sobre o processo de produção, a manutenção de picos e como o equipamento certo é vital para quem não quer parar de evoluir.
Assista a Video Part no canal do YouTube da 4Msb

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Tiago, a sua video part pela 4Msb traz uma estética crua e muito técnica. Como foi o processo de condensar um ano de marretadas (2025) em cidades tão diferentes como BH, SP e Brasília?
Tiago Picomano: Na verdade, a video part começou com uma ideia simples, que seria fazer um 'bem-vindo'. Seria apenas uma viagem para Brasília e lá o que rendesse a gente ia conseguir fazer este vídeo de bem-vindo à equipe. Só que foi bastante produtivo, né? Porque Brasília tem bons picos, bons lugares para se andar de skate e a gente conseguiu render muita coisa. Vendo o que rendeu e também com conselhos, por exemplo, do Renan e do Mark, que são os Team Managers aí, e o Lou, que é o videomaker, a gente chegou num consenso que seria melhor estar filmando mais e fazer um vídeo maior.
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Vimos que em muitos picos você teve que "botar a mão na massa", literalmente, passando massa plástica e preparando o terreno. Como essa dedicação física para preparar o obstáculo influencia na tua conexão com a manobra na hora que o REC aperta?
Tiago Picomano: Sim, muitos dos obstáculos não são perfeitos, mas aqui no Brasil ultimamente tem sido pior. Não sei se é porque estão fazendo com cimento ruim ou coisa do Stipo. A maioria dos picos que eu fui, tinha que fazer alguma coisa. (...) Por eu morar aqui [em BH], eu conseguia deslocar com o material necessário para fazer essa reforma, tipo uma massa plástica, um cimento, ou mesmo um parafuso, um martelo.... É bom porque estimula você a ter que acertar a manobra, porque você já gastou aquele tempo ali em preparar o lugar, então agora é fazer acontecer.

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Trabalhar com videomakers como William Fernandes e Lou Tenca exige um entrosamento grande. Como foi essa dinâmica de filmagem para garantir que cada ângulo transmitisse a velocidade real das sessões?
Tiago Picomano: Com o Lou e o William foi bem fácil, porque ambos são meus amigos que conheço de longa data, então era bem tranquilo. As sessões fluíam como flui naturalmente, como se fosse um dia normal. A única coisa diferente é que a gente está tentando render uma imagem. Às vezes tem que repetir a manobra ou fazer um take específico ali para complementar já pensando no vídeo... e o processo foi bem fácil, foi bem tranquilo. Como eu disse, ambos são meus amigos, então deixou tudo leve.
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Muitos skatistas da nova geração acham que o auge acaba aos 25. Você, aos 38, acaba de lançar uma das partes mais sólidas da carreira. Qual é o segredo da tua longevidade? Como mudou a tua rotina de cuidado com o corpo e com o skate?
Tiago Picomano: O skate para mim, ele é um estilo de vida mesmo, né? É o que eu gosto de fazer e, além de diversão, ele é meu ganha-pão também. E a partir desse ponto a gente tem que fazer sempre o melhor, tentar se dedicar para que seja mais longa essa carreira.
Hoje eu faço treino na academia, tento me alimentar bem para manter o peso. O tempo, apesar de ser ruim para a parte física, ele é muito bom para as estratégias. Hoje eu me machuco muito menos do que no auge da carreira ali, com os 25 anos, onde seu físico está muito bom, você consegue comer mal, dormir mal e andar muito de skate.
Hoje não, eu cuido melhor do meu corpo, tento dormir bem, comer bem e planejar o que eu vou fazer antes de fazer, seja uma sessão ou uma filmagem, para não ter surpresa. (...) O tempo te dá o conhecimento. Às vezes, parar para tentar amanhã de novo faz parte também, evita lesão. E outra coisa é a chama de sempre: procurar se divertir andando de skate. Enquanto o skate está sendo divertido, é o que deixa ele mais longo.
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No skate de rua, o impacto é constante. Como você sente que a escolha de um equipamento de alta tecnologia influencia na confiança para tentar uma manobra pesada em uma escadaria ou corrimão hoje, em comparação com o início da sua carreira?
Tiago Picomano: Tudo na vida usar um material de qualidade faz diferença, seja pelo conforto, seja pelo rendimento. Um exemplo que eu vejo bastante agora no meu usar do skate é mesmo o TIP, a tecnologia do TIP, que ela faz muita diferença na prática do skate.
Nem é tanto pelo pop, nem é tanto pela leveza, e sim pelo quanto você consegue errar a manobra. Porque às vezes ali é a insistência que faz você acertar. E você ter um material que te permite tentar mais sem quebrar, sem estragar... porque um shape normal, seja de maple ou de marfim, quando ele bate numa quina ou coisa do tipo, ele estraga e você tem meio que trocar ele para continuar a sessão.
O shape da 4Msb com o TIP Technology não precisa disso, ele geralmente não estraga. Então você consegue continuar a sessão ali e tentando até acertar a manobra. O material faz toda a diferença realmente, e hoje em dia a gente tem essa tecnologia disponível que facilita bastante.

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Você está andando com os seus Pro Models que utilizam a tecnologia TIPtech. Para o skatista que ainda vê o shape como algo "descartável", como você descreveria a diferença de sentir o "pop" do seu skate continuar vivo mesmo depois de várias sessões intensas de street?
Tiago Picomano: "Ter um pro model para qualquer skatista é a realização de um sonho. Mesmo que o desenho vá estragar, ter seu nome estampado ali e ver a molecada que se inspira em você usando o produto é a recompensa de anos de dedicação. É como um troféu que a gente leva para a vida. Sobre a tecnologia, o TIP é superior. A madeira, seja maple ou marfim, depende muito da qualidade e da umidade; um shape úmido bate menos que um seco. Com o TIP, você tem um shape sempre igual, com a possibilidade de renovar o pop apenas trocando a peça."
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Uma das grandes resistências a tecnologias novas é o peso ou o som do skate. Na sua experiência filmando essa parte, como o TIPtech se comportou em relação à agilidade e àquele estalo seco que a gente busca?
Tiago Picomano: É igual, não vejo diferença nenhuma. Eu já usei shape de marfim, de maple, e o TIP é superior pela praticidade. No peso, eles são iguais, porque para colocar a tecnologia você tira um pedaço da madeira e coloca o TIP, então o peso final não muda. O diferencial é a padronização: na 4Msb, o shape vem sempre igual — mesma altura de nose, tail e wheelbase. Você se acostuma com um padrão de alta performance que não muda.
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A 4Msb bate muito na tecla da sustentabilidade através da durabilidade (menos shapes descartados). Como você vê o papel do skatista profissional em influenciar o mercado para um consumo mais consciente e menos "descartável"?
Tiago Picomano: Acho muito importante a postura do profissional bater nessa tecla. O skatista pro é um influenciador. Eu sempre passo minha experiência: o shape dura até 3x mais e isso é sustentável porque você derruba menos árvore para fazer menos shapes. Além disso, é econômico. Você gasta menos dinheiro porque consegue andar muito mais tempo com o mesmo equipamento que, se fosse um comum sem o TIP, já teria sido descartado há muito tempo.
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O que podemos esperar do Tiago Picomano e da parceria com a Skateovation para os próximos anos?
Tiago Picomano: O futuro é a gente continuar trabalhando juntos. A 4Msb é uma marca que eu acredito muito, não só pelo produto, mas pelas pessoas que estão por trás. A gente quer continuar evoluindo a tecnologia, trazendo novos modelos e, claro, continuar andando de skate. O plano é não parar. Quero continuar produzindo, filmando e mostrando que, com o equipamento certo e a cabeça no lugar, o skate não tem prazo de validade. A parceria com a Skateovation é pra frente, sempre buscando o que há de mais moderno para o skatista.

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Que conselho você daria para o skatista que está começando agora e quer ter uma carreira longa e produtiva como a sua?
Tiago Picomano: O conselho que eu dou é: divirta-se. O skate nasce da diversão. Se você focar só no profissionalismo ou em ganhar dinheiro logo de cara, você vai se frustrar. Mas, ao mesmo tempo, seja inteligente. Cuide do seu corpo, escolha bem o seu material. Não trate o seu skate como algo que você joga fora toda semana. Valorize o seu corre. Procure aprender sobre o que você está usando sob os pés. E o mais importante: persistência. O skate vai te derrubar mil vezes, a diferença de quem chega longe é quem levanta a milésima primeira e tenta de novo, com a estratégia certa.

A trajetória de Tiago Picomano e sua entrega total na vídeo part de 2026 são o maior teste de estresse que a tecnologia TIPtech poderia receber. Mais do que um shape que não quebra, a 4Msb entrega a confiança necessária para que skatistas de todas as idades continuem desafiando seus limites.
